Cavaquinistas

Tico-tico
Naturalidade
Rio de Janeiro - RJ
Nascimento
29/09/1920
Falecimento
08/03/2002
Afinação
sol-ré-lá-mi
VERBETE

Tico-tico

Jorge Pereira Simas


Carioca do Santo Cristo, bairro localizado na região central do Rio de Janeiro, Jorge Pereira Simas, mais conhecido como Tico-Tico, nasceu no dia 29 de setembro de 1920, em uma família cuja presença musical era constante. Primo de Jorginho do Pandeiro, de Dino Sete Cordas e do cavaquinista Lino, Tico-Tico dedicou-se à prática do cavaquinho desde a infância e iniciou sua carreira como músico profissional ainda jovem, na Rádio Tupi. Na PRG-3 Rádio Tupi, integrou o Regional de Rogério Guimarães, onde pôde trabalhar com diversos artistas ao longo de sua trajetória, incluindo nomes como Aracy de Almeida, Aurora Miranda, Ary Barroso, Júlio Lousada e Pixinguinha, além de fazer parte da programação da emissora como solista de cavaquinho. No ano de 1945, participou da gravação da valsa "Borboleta Azul", de autoria do violonista Rogério Guimarães, contando com o acompanhamento de Artur Duarte (violão) e com solos divididos entre o cavaquinho de Tico-Tico e o violão do próprio compositor. Dono de uma musicalidade fantástica, uma das características mais marcantes de Tico-Tico era a capacidade de solar qualquer música em qualquer tonalidade. Essa habilidade notável o tornou conhecido por "derrubar" os acompanhadores nas rodas, ao transportar Choros tradicionais para tons pouco habituais. Outra grande qualidade sua era a facilidade para criar introduções criativas para os cantores nos programas da rádio; segundo relatos de ouvintes da época, ele dificilmente as repetia, o que lhe rendeu o apelido de “O Rei das Introduções”, como afirma o músico Caçula. Além de ótimo instrumentista, foi um compositor inspirado. Em 1959, integrando o conjunto Os Últimos Boêmios, gravou a valsa "Renira", de sua autoria, feita em homenagem à sua esposa. Nessa gravação, o regional tinha a seguinte formação: Homero Gelmini (violino), Tico-Tico (cavaquinho), Laerte Gomes (clarinete), Mathias Rosa (acordeom), Themístocles Araújo e Arlindo Ferreira (violões).Seu destaque como um dos principais cavaquinistas da Rádio Tupi foi reconhecido publicamente, por exemplo, em uma nota publicada no jornal Correio da Manhã, de 9 de outubro de 1955. Intitulada "Ary Barroso: Seus Gostos", a matéria trazia o autor de Aquarela do Brasil dividindo com o público suas preferências musicais; entre os eleitos do maestro figuravam Radamés Gnattali (piano), Jacob do Bandolim (bandolim), Luiz Americano (saxofone), Rogério Guimarães (violão) e Tico-Tico (cavaquinho). Em 1961, gravou pela Copacabana Discos um 78 RPM como artista principal, trazendo de um lado o choro "Ataca Pelé" e, do outro, o samba "A Moçada no Samba", ambas composições autorais que alcançaram grande sucesso e execução nas emissoras cariocas. Logo depois, em 1963, lançou o LP intitulado Tico-Tico no Galho Seco, também pela Copacabana, contendo 12 faixas, em sua maioria autorais, com acompanhamentos que variavam entre o formato de regional e de orquestra.

Vale lembrar que o cavaquinho usado por Tico-Tico, tanto para solos quanto para centro, era afinado originalmente em quintas justas, na mesma disposição do bandolim (Sol - Ré - Lá - Mi). Jorginho do Pandeiro contava que ele e seus irmãos, Dino e Lino, juntaram-se para comprar um bandolim de presente para o primo. A partir daí, Tico-Tico passou a tocar e a gravar com o bandolim também, valendo-se do domínio que já tinha daquela afinação.

Outro fato interessante era a sua preferência por cavaquinhos com o corpo e a caixa acústica ligeiramente maiores, buscando obter um som mais encorpado e com maior volume sonoro. Esse design específico foi posteriormente batizado de "modelo Tico-Tico" pela tradicional fábrica e loja de instrumentos Ao Bandolim de Ouro, em justa homenagem ao músico. Torcedor fanático do Fluminense Futebol Clube, o homenageado deixou histórias hilárias por conta de sua paixão pelo Tricolor carioca, chegando a virar notícia folclórica no jornal Correio da Manhã em 5 de janeiro de 1958.Um dos grandes incentivadores e parceiros de sua jornada foi o flautista Altamiro Carrilho. Os dois tocaram juntos inicialmente no Regional de Rogério Guimarães e, posteriormente, na famosa Bandinha de Altamiro, grupo no qual Tico-Tico participou tocando banjo. Ao longo de sua vida, Jorge Pereira Simas residiu em diversos bairros do Rio de Janeiro, passando por Santo Cristo, Irajá, Penha e Guadalupe. Mas foi no bairro da Penha que deixou seu nome definitivamente marcado na boemia: vizinho de um dos mais famosos redutos do Choro carioca, o bar Sovaco de Cobra, Tico-Tico era encontrado lá com frequência, empunhando seu bandolim em rodas de Choro que se tornaram lendárias.

← Voltar para Cavaquinistas