Cavaquinistas

- Naturalidade
- Recife - PE
- Nascimento
- 31/10/1910
- Falecimento
- 03/04/1964
- Afinação
- sol-ré-lá-mi
Nelson Miranda
Nelson Bezerra de Miranda
Cavaquinista e bandolinista, Nelson Miranda foi o caçula de uma célebre família de músicos, na qual seus pais, irmãs e irmãos tocavam algum instrumento. Diante desse ambiente estimulante, deu seus primeiros passos no cavaquinho e no bandolim ainda na infância. Na família, apenas os homens seguiram a carreira profissional. Entre os irmãos que mais se destacaram na cena musical estão o bandolinista João Miranda, o violonista Romualdo Miranda e o mais conhecido de todos, Luperce Miranda — que, além de exímio bandolinista, dominava o cavaquinho, o violão e a guitarra portuguesa, entre outros instrumentos.
Nelson Miranda atuou tanto como solista quanto como centrista de cavaquinho, utilizando a afinação em quintas (Sol - Ré - Lá - Mi), idêntica à do bandolim, instrumento que também dominava e no qual chegou a registrar alguns de seus choros. Em diversas ocasiões, dividiu o palco com seus ilustres irmãos Romualdo e Luperce, formando um virtuoso trio de cordas (violão, bandolim e cavaquinho). Para se ter uma ideia do impacto das apresentações desse trio familiar, destacam-se as palavras do próprio Nelson ao repórter Hercílio Celso, para o Jornal Pequeno, em 18 de fevereiro de 1949:
"Eu e Luperce fazemos um dueto extraordinário de cavaquinho e bandolim, e o mano Romualdo, controlando o ‘pega-pega’ no violão, é um ‘Deus nos acuda’... É de fechar o comércio... Um verdadeiro desacato!"
No início da década de 1930, seu nome já figurava nos jornais de Recife como bandolinista na programação da PRA-8 Rádio Clube de Pernambuco, atuando ao lado de músicos como Wandivel Amaral (violão) e Osmundo Vieira (cavaquinho). Já em 1937, Nelson atuava como cavaquinho centro no Regional de Pereira Filho, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, sendo considerado, na época, um dos melhores músicos do gênero em todo o país.
Antes mesmo de se lançar em disco como solista interpretando suas próprias composições, teve o choro "Divagando" (parceria com o violonista Luís Bittencourt) gravado por Emilinha Borba, no ano de 1945. Nesse mesmo ano, a revista Carioca publicou uma matéria intitulada "Um conjunto que abafa", referindo-se ao regional dirigido por Nelson, que contava com Gilson de Freitas (pandeiro), Valzinho e Luís Bittencourt (violões), Salvador Chaves (flauta) e o próprio Nelson Miranda no cavaquinho.Como compositor, transitou com versatilidade por diversos gêneros, incluindo choros, boleros, valsas, arrasta-pés, rancheiras, sambas e baiões. Durante muito tempo, gravou pela Todamérica, editora pela qual também editou e lançou várias de suas músicas em partitura.Na edição semanal da Revista do Rádio nº 56, publicada em 29 de agosto de 1950, sua fotografia ganhou destaque na página 4 com a seguinte legenda:"Nelson Miranda, um virtuoso do cavaquinho, acaba de gravar na Todamérica os choros de sua autoria, ‘Pitiguari’ e ‘Confusão na Fila’. O conhecido cavaquinho da Mayrink Veiga já atuou na Tupi acompanhando a folclorista Yara Marques".A gravação deste disco de 78 rotações contou com o acompanhamento do Regional de César Moreno. Pouco depois, na Revista do Rádio nº 96 (10 de julho de 1951), Nelson figurou na página 6, no "Quadro de Honra", com o texto: "Nelson Miranda, com seus magníficos solos de cavaquinho, incluiu seu nome entre os solistas que mais discos vendem".
Ainda em 1951, liderando seu conjunto regional, acompanhou Adoniran Barbosa na histórica gravação do samba "Saudade da Maloca" (posteriormente consagrado como "Saudosa Maloca"), que trazia a marcha "Mimoso Colibri" no lado B. Nesse registro de 78 rotações, é possível perceber um acompanhamento de cavaquinho centro com uma condução bem singular, diferenciando-se de outros cavaquinistas que utilizavam a mesma afinação na época, como o inconfundível Carlinhos do Cavaco, do conjunto Nosso Samba.
Ao longo de sua carreira, Nelson Miranda passou pelas principais emissoras de rádio de Recife e do Rio de Janeiro, além de gravar mais de uma dezena de discos de 78 rotações interpretando sua obra autoral. Entre suas composições mais marcantes, destacam-se: Recife, Por te Querer, Pitiguari, Pernambuquinho, Neco na Farra, Dengoso, Trinca de Ases, Leda, Moleque Dinarte, Dobradinha e Chora Comigo.
Nelson Miranda faleceu tragicamente no dia 31 de março de 1964, vítima de um assassinato na cidade de Recife, Pernambuco.
